quarta-feira, 29 de abril de 2015

O problema da subjetividade, relatividade ou objetividade dos valores

TEORIAS SOBRE OS VALORES E OS JUÍZOS DE VALOR
Não há factos acerca de valores.
Os valores não são propriedades objetivas dos objetos, sendo projetados neles pelos sujeitos b) e culturas a)
RELATIVISMO CULTURAL
Os juízos de valor:
-   São relativos às culturas.
-   São verdadeiros ou falsos em função da avaliação das culturas
SUBJETIVISMO  
Os juízos de valor:
-        São expressões das preferências dos sujeitos.
-        São verdadeiros ou falsos em função da avaliação dos indivíduos
Há uma verdade objetiva acerca dos valores.
Os valores são propriedades objetivas do mundo
OBJETIVISMO
-        Alguns juízos de valor são objetivos

TEORIAS
ARGUMENTOS
OBJECÕES
RELATIVISMO CULTURAL

Os valores são relativos às sociedades

Não há valores morais universais

Nenhum código moral é superior a qualquer outro

ARGUMENTO DA DISCORDÂNCIA

Verificam-se discordâncias relativamente aos juízos de valor (variam de cultura para cultura)
Não discordamos relativamente a todos os valores
Há casos em que estamos perante juízos objetivos e há discordâncias
O facto de haver diversidade não quer dizer que não existam juízos de facto verdadeiros sobre um assunto

ARGUMENTO DA TOLERÂNCIA

Considera que não há valores certos ou errados, assim uma cultura não deve impor os seus valores às outras, promovendo assim a tolerância entre sociedades

Afirma a intolerância como bem (valor) objetivo.
Temos de ser tolerantes com todos os juízos de valor, incluindo os intolerantes e moralmente indesejáveis

ARGUMENTO DA ESTRANHEZA DE VALORES
Os valores não podem existir como propriedades dos objetos porque se assim fosse os valores teriam de ter existência autónoma. Ora, ninguém tem indícios de que os valores não existam apenas nas nossas mentes

O facto de ninguém ter indícios de que os valores não existam apenas nas nossas mentes não é suficiente para provar que não têm existência própria.
SUBJETIVISMO

Os valores são relativos aos sujeitos

São expressões de preferências individuais

O valor de verdade dos juízos de valor depende das preferências e sentimentos dos sujeitos que os proferem



ARGUMENTO DA DISCORDÂNCIA

Verificam-se discordâncias relativamente aos juízos de valor (variam de indivíduo para indivíduo)
Não discordamos relativamente a todos os valores

Há casos em que estamos perante juízos objetivos e há discordâncias

O facto de haver diversidade não quer dizer que não existam juízos de facto verdadeiros sobre um assunto

ARGUMENTO DA TOLERÂNCIA

Considera que não há valores certos ou errados, assim um indivíduo não deve impor os seus valores aos outros.


Afirma a intolerância como bem (valor) objetivo.

Temos de ser tolerantes com todos os juízos de valor, incluindo os intolerantes e moralmente indesejáveis

ARGUMENTO DA ESTRANHEZA DE VALORES

Os valores não podem existir como propriedades dos objetos porque se assim fosse os valores teriam de ter existência autónoma. Ora, ninguém tem indícios de que os valores não existam apenas nas nossas mentes

O facto de ninguém ter indícios de que os valores não existam apenas nas nossas mentes não é suficiente para provar que não têm existência própria.
OBJETIVISMO

Os valores são objectivos

O valor de verdade não depende das preferências do sujeito que o profere



ARGUMENTO DAS CAUSAS MORALMENTE INDESEJÁVEIS

Se não houvesse juízos objetivos sobre valores, teríamos que considerar que práticas morais como o racismo ou o genocídio seriam tão corretas como a democracia

É uma consequência indesejável que temos de aceitar pois resulta da relatividade dos valores culturais

ARGUMENTO DA COINCIDÊNCIA DE VALORES

 Mesmo perante a diversidade de pessoas, sociedades, culturas e tempos existe uma grande coincidência de valores (exemplo: homicídio e incesto)
Verificam-se discordâncias nos juízos de valor

ARGUMENTO DA CAPACIDADE EXPLICATIVA

Nem todas as opiniões/ juízos de valor valem o mesmo; quando se aprecia um quadro ou o valor moral de uma ação, estão em causa características, conhecimentos e capacidades no domínio da arte e a intenção e consciência da ação.

Apesar do conhecimento e especialização em domínios como a arte ou a moral, haverá sempre um desacordo de juízos de valor.

ARGUMENTO DO DISSIDENTE

A dissidência de valores é um facto; indivíduos de uma cultura vão contra os valores socialmente aceites levando muitas vezes a uma mudança no sentido da passagem de um juízo de valor falso a um juízo de valor verdadeiro.


Juízos de facto e juízos de valor






Juízo de facto
Descrição impessoal de uma realidade, do que aconteceu sem interpretação ou apreciação.
Informa-nos acerca de factos, coisas, acontecimentos ou acções.
O Juízo de facto pode ser verdadeiro ou falso, pode ser afirmado ou negado pela experiência.
Estes juízos são descritivos ou afirmativos, não prescrevem o que se pode ou deve fazer.

Ex: A Guernica foi pintada por Picasso

Juízo de valor 
Apreciação dos aontecimentos que manifesta preferências relativamente a um dever ser.
Avalia acontecimentos, coisas e acções.
Refere-se a valores ou princípios que servem de base à avaliação.
Podem ser normativos ou prescritivos.
Ex: A Guernica é o quadro mais belo de Picasso

Mas não podem os juízos  de valor ter valor de verdade?

Quem tem uma perspetiva objectivista dos valores considera que os juízos de valor podem ser verdadeiros ou falsos. 

O problema do livre-arbítrio




SOMOS LIVRES OU DETERMINADOS? 

É o livre arbítrio compatível com o determinismo?




O problema do livre-arbítrio


Determinismo Radical – Todos os acontecimentos, inclusive as acções humanas, são causados por acções anteriores
Determinismo moderado (compatibilismo) – Tudo no mundo é determinado mas algumas acções são livres porque embora sejam determinadas, não são constrangidas
Libertarismo – Os fenómenos físicos são determinados mas as acções humanas resultam de deliberações racionais e podem alterar o curso dos acontecimentos do mundo


                                    Determinismo radical - 

Não temos livre arbítrio e todos os acontecimentos estão  determinados.

     Se o determinismo é verdadeiro, não há livre arbítrio
     O determinismo é verdadeiro
     Logo não há livre arbítrio

  • Tudo tem uma causa
  • Se tudo tem uma causa, então não há ações livres
  • Logo não há ações livres

Se não há ações livres, não podemos ser responsabilizados pelas nossas ações


        OBJEÇÕES:


A experiência do live arbítrio é forte. O livre arbítrio faz parte do processo de agir. Não podemos agir sem o sentimento de que somos livre

Se não há ações livres, não podemos ser responsabilizados pelas nossas ações

Não é possível viver em sociedade sem a ideia de responsabilidade

Segundo o determinismo radical os juízos morais perdem qualquer fundamento
                                           Libertismo

Os fenómenos físicos são determinados mas as ações humanas resultam de deliberações racionais e podem alterar o curso dos acontecimentos do mundo

  •  Nem todos os acontecimentos estão submetidos ao mesmo tipo de causalidade
  •  A causalidade natural rege o mundo físico
  • Os agentes humanos são causa de ações que produzem efeitos no mundo
  • A causalidade livre é própria de algumas ações dos seres humanos
  • As ações não são o desfecho inevitável de ações anteriores
  • Se há ações livres, os agentes humanos  são responsabilizáveis por elas

Assim sendo, o determinismo é falso e a crença na liberdade e na responsabilidade é verdadeira


OBJEÇÕES
·         As deliberações e escolhas podem ser determinadas por desejos e crenças
·         Para o libertismo o livre arbítrio é incompatível com o determinismo
·         As escolhas não são livres

            Determinismo moderado

Tudo no mundo é determinado mas algumas ações são livres porque embora sejam determinadas, não são constrangidas


  • Todas as ações têm uma causa
  • Essas causas são internas ou externas
  • Agimos livremente quando não somos compelidos ou coagidos por forças externas
  • Somos causalmente determinados e também livres e responsáveis pelo que fazemos 

                O determinismo é compatível com a liberdade e com a                 responsabilidade


OBJEÇÕES
·         O facto de não nos sentirmos constrangidos não significa que poderíamos ter escolhido outra coisa além do que escolhemos

·         O facto de não termos consciência das causas da nossas escolhas, não significa que elas não existam

·         As nossas escolhas podem ter na sua base:
o   Acontecimentos anteriores
o   A nossa personalidade
o   A nossa constituição genética

A perspetiva de Kuhn acerca do desenvolvimento da ciência


Questões de facto e relação de causalidade








TIPOS DE CONHECIMENTO





RELAÇÕES DE IDEIAS 

Conhecimentos a priori que resultam da análise dos elementos de uma proposição   e do estabelecimento de relações entre as ideias que ela contém.
A verdade das proposições que exprimem relações de ideias não depende do confronto com a experiência.
As relações de ideias são verdades necessárias: não é logicamente possível a sua negação.
As proposições que exprimem relações de ideias não nos dão conhecimento do mundo  (a lógica e a matemática)


CONHECIMENTOS DE QUESTÕES DE FACTO 

São a posteriori e a verdade destas proposições tem de ser testada pela experiência.
A verdade das proposições de facto é contingente (não é logicamente impossível a sua negação).
As proposições que exprimem questões de facto são baseadas na experiência e dão-nos conhecimentos do mundo.


Todos os raciocínios relativos aos factos parecem fundar-se na relação de causa e efeito. Só mediante esta relação podemos ir além do testemunho da nossa memória e dos nossos sentidos. Se perguntássemos a um homem porque acredita ele em alguma questão de facto  que está ausente, por exemplo, que o seu amigo está no campo ou na França, fornecer-nos-ia uma razão e esta razão seria algum outro facto, como uma carta dele recebida ou o conhecimento das suas antigas resoluções e promessas.

Um homem que encontrasse um relógio ou qualquer outra máquina numa ilha deserta concluiria que noutros tempos estiveram homens nessa ilha. Todos os nossos raciocínios acerca de factos são da mesma natureza. E aqui supõe-se constantemente que existe uma conexão entre o facto presente e aquele que dele é inferido. Se nada houvesse a ligá-los, a inferência seria inteiramente precária. A audição de uma voz articulada e de discurso racional na escuridão certifica-nos da presença de alguma pessoa. Porquê? Porque são efeitos da maneira de ser e da estrutura humanas, e intimamente a elas adstritos. Se analisamos todos os outros raciocínios desta natureza, veremos que se baseiam na relação de causa e efeito, e que esta relação é próxima ou remota, directa ou colateral. O calor e a luz são efeitos colaterais do fogo, e um efeito pode ser adequadamente inferido a partir do outro.
                           
David Hume, Investigação Sobre o Entendimento Humano


Questões de facto

Raciocínios que assentam na relação causa-efeito/ relação de causalidade

As relações causais nunca podem ser descobertas a priori
A inferência causal baseia-se em regularidades observadas– uma conjunção constante

•          Ao observar que algum evento (A) tem até agora sido sempre seguido do evento (B), acreditamos que, da próxima vez que ocorrer (A), sucederá (B).

•          Ocorreu um raio (A)
Aos raios (A) têm-se seguido trovões (B)
Logo, provavelmente irá ocorrer um trovão (B)

Raciocínio causal – Partimos de premissas empíricas e a conclusão não se segue necessariamente delas
↓
As inferências causais pressupõem que a Natureza se comporta de maneira uniforme – Princípio da uniformidade da natureza:

A causas semelhantes seguem-se efeitos semelhantes
O futuro será semelhante ao passado

•          Ao observar que algum evento (A) tem até agora sido sempre seguido do evento (B), acreditamos que, da próxima vez que ocorrer (A), sucederá (B).

      Acreditamos que o futuro assemelhar-se – á ao passado.

PROBLEMA:

Como podemos justificar que o passado será semelhante ao futuro?

A uniformidade da natureza não é justificáveldemonstrativamente nem indutivamente.


Se o princípio da uniformidade da natureza é justificável, então pode ser justificado demonstrativamente ou indutivamente.


O princípio da uniformidade da natureza não é justificável demonstrativamente


O princípio da uniformidade da natureza não é  indutivamente justificável.


Logo, o princípio da uniformidade da natureza não é racionalmente justificável


Se a crença na uniformidade da experiência fosse dedutivamente demonstrada seria uma verdade necessária cuja negação implicaria contradição.

As verdades contingentes não são demonstradas.

Não se pode demonstrar que o futuro se assemelhará ao passado.

Não é possível justificar este princípio indutivamente.

Justificar indutivamente o princípio da uniformidade da natureza constituiria uma petição de princípio.

O futuro tem-se assemelhado ao passado

Logo, provavelmente o futuro assemelhar-se-á ao passado.

Justificava-se a crença na uniformidade da natureza com base na experiência que tivemos até hoje da uniformidade da natureza



O problema da indução


O raciocínio indutivo não é justificável
↓
- Raciocinando indutivamente, geralmente tem-sechegado a conclusões corretas

- Mas continuará a indução a ser fiável?

- Acreditamos que sim mas não podemos justificar

  • não é possível justificá-la a priori (não é uma verdade necessária)


  • Não é possível verifica-la a posteriori(se dissermos que a indução é fiável porque tem sido até agora, estamos a justificar a indução com a indução)



A ideia de conexão necessária



Magritte
Quando olhamos para os objetos exteriores à nossa volta e consideramos a operação das causas, nunca somos capazes de identificar, num caso singular, qualquer poder ou conexão necessária, qualquer qualidade que ligue o efeito à causa e torne o primeiro uma consequência infalível da segunda.

O impulso da primeira bola de bilhar é seguido pelo movimento da segunda, e isso é tudo ao que é dado aos nossos sentidos externos. O espírito não sente qualquer impressão ou sentimento interno devido a uma sucessão de objetos. Em consequência, em nenhum caso singular, particular, de causa e efeito, há alguma coisa capaz de sugerir a ideia de poder ou de conexão necessária.


Parece então que esta ideia de conexão necessária entre eventos surge de uma multiplicidade de casos similares de conjunção constante entre esses eventos, e esta ideia nunca pode ser sugerida por qualquer desses casos singulares (…). Mas numa multiplicidade de casos nada há que seja diferente de cada um dos casos individuais que se supõe serem exactamente similares, a não ser que, depois da repetição de casos similares, a mente é levada pelo hábito, quando aparece um dos eventos, a esperar o seu acompanhante usual e a acreditar que ele vai ocorrer. Portanto esta conexão que sentimos na mente, esta transição costumeira de um objeto para o seu acompanhante habitual, é o sentimento ou impressão a partir do qual formamos a ideia de conexão necessária.
                 
                                                                 David Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano


O hábito explica as inferências causais

As inferências causais pressupõem o princípio da uniformidade da natureza, que não é justificável.

Mas não podemos deixar de raciocinar causalmente
As inferências causais não são racionalmente justificáveis, mas são psicologicamente explicáveis.
↓
Resultam do hábito ou costume – sempre que a mente humana constata repetidamente que acontecimentos de um certo tipo (A) são seguidos por  acontecimentos de outro tipo (B) cria a expectativa que sempre que ocorra (A), se siga (B)

Conexão necessária Ligação entre causa e efeito (o efeito tem de resultar da causa)

Raciocínio causal
↓
Um acontecimento causa outro – existe uma conexão necessária entre os acontecimentos – o efeito segue-se inevitavelmente àcausa.

Qual a origem da ideia de conexão necessária?

A ideia teria de resultar de uma impressão (princípio da cópia)
Não temos impressão da ideia de conexão necessária
A conexão necessária não pode ser observada
↓
Só podemos observar a conjunção constante entre fenómenos -
acontecimentos de um certo tipo (A) são seguidos por  acontecimentos de outro tipo (B) 
↓
cria a expectativa que sempre que ocorra (A), se siga (B)

A impressão de conexão necessária consiste num sentimento de expectativa produzido pelo hábito de observar a conjunção constante entre fenómenos.


A perspetiva indutivista do método científico




Segundo a perspetiva indutivista do método científico, a ciência começa com a observação e  as inferências indutivas  permitem progredir dos enunciados singulares aos enunciados gerais,  leis e teorias científicas. 

Perspetiva indutivista

A perspetiva indutivista clássica está associada ao método experimental (como foi entendido na revolução científica).

A ciência procura estabelecer teorias e leis universais que permitam fazer previsões rigorosas a partir de um número elevado de observações particulares e de experiências realizadas.

As generalizações e previsões são raciocínios indutivos. 

Para os indutivistas, não há ciência sem indução. O método experimental começa com a observação, partindo de factos, e a hipótese é confirmada pela experiência.





Método científico segundo aperspetiva  indutivista

OBSERVAÇÃO

Observação de factos de forma rigorosa e imparcial
 Registo e classificação de factos empíricos


FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES

Obtenção da teoria por generalização indutiva: a partir de enunciados singulares são inferidos enunciados gerais (leis ou teorias)

A generalização indutiva tem de satisfazer condições:

·         O número de observações/ enunciados singulares deve ser grande
·         As observações devem-se repetir em múltiplas circunstâncias
·         Nenhum enunciado singular deve entrar em contradição com a lei derivada


VERIFICAÇÃO EXPERIMENTAL

A partir das teorias, os cientistas deduzem previsões e explicações que possam ser confirmadas






Fases do método científico 

OBSERVAÇÃO

Observação rigorosa e imparcial dos factos.

(ex: observa-se que a água ferve a uma certa temperatura)


FORMULAÇÃO DE UMA HIPÓTESE

Suposição de teoria ou lei que explique o fenómeno.

(Formula-se a hipótese que a água ferve a 100 graus Celcius)


PREVISÃO DE CONSEQUÊNCIAS

Extração de consequências da hipótese.

(Extrai-se a consequência de que a água que se encontra num recipiente irá ferver quando atingir 100 graus Celcius)


EXPERIMENTAÇÃO

Realização de experiências para averiguar se as previsões ocorrem.

(Faz-se a experiência para averiguar se a previsão ocorre)


CONFIRMAÇÃO DA HIPÓTESE

Se as previsões ocorrem, a hipótese é confirmada e passa a teoria/ lei.





Para os indutivistas a dedução é meramente demonstrativa, concluindo o que já está implícito nas premissas não permitindo ampliar o conhecimento.

A dedução tem importância quando é preciso deduzir consequências das hipóteses, que terão de ser experimentalmente confirmadas e por isso pode chamar-se hipotético-dedutivo ao método experimental. Mas o que os indutivistas realçam é que só a indução tem um carácter ampliativo. 

Para os indutivistas a indução encontra-se em dois momentos do método experimental – no processo dedescoberta e no de justificação das teorias.



Aspetos fundamentais da  perspetiva indutivista do método científico
A ciência começa com a observação
A inferência indutiva, pelo seu caráter ampliativo, é a única inferência capaz de produzir conhecimento do mundo.


O papel da indução no método científico
DESCOBERTA
Observação dos factos e formulação das hipóteses
JUSTIFICAÇÃO
Confirmação das hipóteses por meio da experimentação e estabelecimento de leis gerais.





Objeções ao indutivismo



A observação não é o ponto de partida para a investigação científica
A observação não é imparcial

·         Não há observação pura - o cientista já observa com expectativas e teorias
·         O ponto de partida da investigação não é a observação maso problema que surge do confronto entre a observação e as expectativas ou teorias que se tem


Algumas teorias científicas referem-se a aspetos inobserváveis

·         Em muitos casos as teorias não podem ser induzidas a partir de observações


As inferências dedutivas são racionalmente injustificáveis – problema da indução

·         Não são dedutivamente demonstradas
·         Não podemos recorrer à indução para justificar a indução

O falsificacionismo





Outra saída para o problema da indução, pelo menos tal como ele afeta o tema do método científico, é negar que a indução seja a base do método científico. O falsificacionismo, a filosofia da ciência desenvolvida por Karl Popper (1902-1994), entre outros, faz isso mesmo. 
Os falsificacionistas defendem que a perspetiva simples da ciência está errada. Os cientistas não começam por fazer observações, começam por uma teoria. As teorias científicas e as chamadas leis da natureza não pretendem à verdade: ao invés, são tentativas especulativas de oferecer uma análise de vários aspetos da natureza. São conjeturas: suposições bem informadas, concebidas para serem melhores do que as teorias anteriores.


Estas conjeturas são então sujeitas a testes experimentais. Mas estes testes têm um objectivo muito específico. Não pretendem demonstrar que a conjectura é verdadeira, mas antes demonstrar que é falsa. A ciência funciona tentando falsificar teorias e não tentando demonstrar que são verdadeiras. Qualquer teoria que se mostre ser falsa é abandonada ou, pelo menos, modificada. A ciência progride, assim, através de conjecturas e refutações.
(…)
A falsificação tem pelo menos uma grande vantagem em relação à perspetiva simples da ciência: um único caso de falsificação é suficiente para mostrar que uma teoria não é satisfatória, ao passo que por mais observações que confirmem uma teoria, nunca podem ser suficientes para nos darem cem por cento de certeza de que a teoria será confirmada por todas as observações futuras.



                                    Nigel  Warburton, Elementos Básicos de Filosofia




Método das Conjeturas e Refutações

A indução não desempenha qualquer papel na justificação das teorias científicas - a justificação das teorias científicas depende de procedimentos dedutivos

1.    Formulação de um problema

2.    Apresentação da teoria como hipótese ou conjetura – proposta como tentativa para resolver o problema

3.    Tentativas de refutação da teoria através de testes experimentais

4.    Se a conjectura resistir aos testes, é corroborada (aceite como a melhor teoria disponível). Se não resistir aos testes, é falsificada e, por isso, abandonada.


O falsificacionismo, em vez de procurar o acordo entre a predição (consequência deduzida da hipótese) e a observação – confirmação-, procura observações que a falsifiquem.


Objeções:

Os cientistas têm, normalmente, o objetivo de confirmar as suas teorias


Muitas teorias científicas não são conclusivamente falsificáveis ótese) e a observação – confirmação-, procura observações que a falsifiquem.